Em julho de 2008, fui internado em uma clínica psiquiátrica (Casa de Saúde Saint Roman), com sintomas de depressão. A minha estada nessa clínica, que durou 26 dias, provocou mudanças radicais em meu diagnóstico e tratamento, que teve início por volta de 1998/99.

Vou começar a relatar essa história aqui, a partir desta internação, sem muitos detalhes, apenas o suficiente para que seja de alguma forma proveitoso para alguém.

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O tempo todo lemos artigos médicos, bulas de remédios, indicações de tratamentos; mas raramente encontramos alguém que queira compartilhar direta e abertamente suas experiências nesse sentido, muito menos pela internet.

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Do final de 2007 a julho de 2008, estive em crescente piora dos sintomas de depressão e distúrbio do pânico, com os quais fui diagnosticado desde o início de meu tratamento, em 98. Alguns fatores provavelmente ajudaram a desencadear essa crise mais aguda que me levou a uma internação, como problemas financeiros, fim de um casamento e complicações decorrentes; além do mais óbvio, que foi um gradual abandono dos canais de ajuda a que tinha acesso. Cheguei a ficar 7 meses sem nenhuma medicação, e aparentemente me sentindo bem, já que a degradação foi bem lenta e sutil.

No final de junho de 2008, minha situação era exatamente essa:

  • Vivia no meu quarto, com portas fechadas, e praticamente não saía de casa.
  • O toque do telefone ou um contato online me causavam angústia (não atendia ou respondia).
  • Chegava a passar dois, três dias, sem tomar banho, escovar os dentes ou qualquer outro cuidado pessoal.
  • Não tinha apetite e comia pouquíssimo, tendo emagrecido 6 quilos.
  • Tinha crises diárias de ansiedade, com falta de ar e tonturas.
  • Dormia poucas horas seguidas, sem horários definidos, mas vez ou outra dormia dias inteiros.
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Parecia que vivia em estado de sonho, ou sono; era uma realidade diferente, e comecei a desconfiar de coisas que via ou ouvia, se eram reais ou criações minhas - o medo da loucura iminente. Mas só fui atentar para a gravidade da  situação quando comecei a ter idéias de suicídio. Não eram impulsos, causados por grande dor ou angústia; eram pensamentos conscientes, raciocinados, a despeito de minhas crenças e certezas. Vi que era a hora de pedir ajuda.

Entrei em contato com meu antigo terapeuta (não frequentava as sessões de terapia há mais de um ano). Já cogitava uma internação, e quando ele me antecipou isso já na nossa primeira consulta, antes que eu tocasse no assunto, tive certeza de que era um caminho. Já conhecia algumas clínicas, por intermédio de pessoas próximas, pois eu mesmo nunca havia sido internado. Escolhi algumas possibilidades que meu plano Unimed cobria e o resto foi resolvido rapidamente por ele (meu terapeuta).

Lembro exatamente daquele dia, um sábado, quando seria internado - malas prontas pra um lugar desconhecido - com pessoas desconhecidas, e tão ou mais doentes do que eu. Um amigo nos levou (eu e minha mãe) de carro para o alto de Santa Teresa, onde fica a clínica.
Logo ao chegar, alguns “sustos”, ou encontros com a realidade. O primeiro na recepção, quando vi pelo canto da tela do PC da recepcionista, a classificação que ela me dera, dentre algumas possibilidades: psicótico; e quando fui avaliado por uma psiquiatra, na triagem, como “caso grave”. Aquilo tudo era novidade pra mim… psicótico? caso grave?

Por fim, minha chegada na ala de psiquiatria, bolsas na mão, recebido por enfermeiros, sob olhares atentos e curiosos de pouco mais de meia dúzia de pacientes que assistiam uma TV. Comecei a achar um erro ter ido para aquele lugar… Me encaminharam ao quarto 101, e após a porta ser fechada, deitei na cama e me dei conta de minha real situação:

Eu era um doente mental, internado em uma clínica psiquiátrica.

(continua…)