03 Dec
Posted by: efeitos colaterais in: Diário Saint Roman, Internação, Relatos
18.8.9 (Terça) . 23:55hs
Depois da última consulta psiquiátrica, fiquei com raiva, remoendo essa idéia de uma suposta crise existencial. Caí rapidamente em depressão e deduzi que, se estou aqui por uma “crise existencial”, o que continuo fazendo aqui?
Senti saudades de minha casa até, vontade de não estar aqui, inadequado entre “loucos” e não me sentido tratado. Resolvi que iria embora, e as maquinações a esse respeito começaram. Chorava, ora melancólica, ora desesperadamente. Pensava no meu estado aqui, nas pessoas próximas que se preocupam comigo e em outras diversas coisas que não consigo mais acessar. Pedi para que chamassem a Fabiana (psicóloga), ou até mesmo a Carolina (psiquiatra), e como sempre, uma demora absurda. No meio disso, e do choro desesperado, alternado a certa indiferença melancólica, pensei na lâmina do apontador, em como poderia tirá-la, como seria a sensação de cortar os pulsos e sentir o sangue esvaindo. Pensei também, em como faria, se fosse o caso, para que não descobrissem a tempo. Logo depois, pensei em deixar o apontador com a enfermagem, mas percebi uma dúzia de objetos que poderiam ser usados com essa finalidade.
Pela primeira vez, que me lembre, cogitei de verdade o ato, até pra ver como seria. Pensei na dor que tenho causado aos próximos, mas lembrei também que minha Mãe se desesperaria com algo assim. Chorei por não ter saída, e logo após agradeci por ter esses freios em minha mente.
Desabafei com a Fabiana, chorei muito. Resumindo, porque meus olhos estão fechando, o que mais me marcou na conversa foi um questionamento vindo dela, que me fez pensar que não importa se meus fracassos foram ou não por doença. O que importa é lidar com isso. Ví aí minha mania de superioridade, vergonha de falhar; talvez por isso tenha medo de tentar.
No meio da crise, tudo que queria era estar com a Juliana, porque nos entendemos de verdade aqui. seria a única pessoa com quem gostaria de estar ao sair. E a Fabiana falou justamente que essa minha “queda” ou desconforto, começou devagar, a partir da saída dela da clínica. Percebo que tentei escapar de mim mesmo substituindo-a, como tentei com a menina do citrad, e esse enfrentamento do real vem aumentando a partir daí. O desconforto é exatamente o que preciso experimentar, encarar. O desconforto de estar comigo mesmo, sem distrações; e aprender a sentir esse desespero, essa angústia, encará-la e ver em que se transforma. Será que é tão ruim e absurdas essas sensações? Será que não posso suportar e transformar em outra coisa?
One Response
renata miranda
04|Apr|2010 1Gostaria de receber esses relatos via email. é possivel?
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