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23.8.9 (Domingo) . 20:00hs

Acordei com a boca muito seca, como acontece sempre que o s.o.s. é o Seroquel, que dessa vez foi de 100mg. Soube pela manhã, que além disso, a médica colocou mais 50mg dele como padrão às 22hs, já que essa semana foram três vezes que recorri à medicação pra dormir. Fiquei imaginando como será em casa, mas lá não vou ter esses horários exatamente. Dá pra ficar até no máximo 1 ou 2 da manhã acordado. Também não sei o que vai ser mantido na alta, mas de qualquer forma, nunca usei tanta medicação na vida, e não me importo que continue, desde que eu me sinta bem, tempo suficiente pra me organizar e criar condições naturais, que estão sendo supridas pelos remédios, por ora.

Hoje já comecei a sentir aquela sensação de adeus, que vai dando nos últimos dias. Um misto de medo do mundo real e das decisões pela frente, com uma saudade antecipada das boas coisas daqui, que ao contrário do que possa parecer, são muitas. Tive apenas alguns momentos de irritabilidade, normais até, pela situação.

Por duas vezes me irritei com um dos pacientes, e uma vez com um enfermeiro cuzão que tem aqui, o mesmo que tentou “cantar” a Juliana. Pedi minhas coisas de barbear às 17:30hs e ele negou, dizendo que objetos cortantes só de 9 às 17hs. Ok, regras são regras, mas porque só sabemos delas quando nos negam algo? É terapêutico esse tipo de frustração em um ambiente já tão cheio de restrições? Sem contar que a maioria têm um pouco de bom senso, e não fica cagando regra imunda enquanto está preocupado com o jogo de futebol passando na TV. Dei dois socos na parede do banheiro, com aquele sentimento agressivo que tenho na contrariedade, e ainda voltei lá, pra forçar a barra e arrumar alguma confusão, mas não forcei muito, e ele também não se doeu… ficou por isso mesmo. Já vi ele falando em tom de ameaça com outros pacientes por menos, mas ele me olha de um jeito diferente, que não é medo, talvez respeito, sei lá porque.

 

Continua…