06 Dec
Posted by: efeitos colaterais in: Diário Saint Roman, Internação, Relatos
22.8.9 (Sábado) . 22:55hs
Acordei bem, como de costume, tendendo à euforia, que começa geralmente com o contato com as pessoas no café da manhã. Nenhum incidente significativo. Apenas fiz questão de estar com as pessoas, mesmo que às vezes fosse incômodo, e de fato, a depressão não conseguiu se instalar. Estou quase convicto de que socializar evita a depressão, mas de todo modo, questiono isso como modo de vida, já que o contato social não me faz encarar as causas do que me deprime. Apesar de ser uma doença e não precisar de um motivo específico para que surja, há por trás alguma causa, existencial talvez, bem longe dos acontecimentos cotidianos. O contato social aí funciona como um ansiolítico pra dormir. Abafa o que trás a falta de sono, como solução temporária para diminuir o sofrimento. Mas é certo, que preciso tomar cuidado com o isolamento, pois é mais grave do que a maneira como o encarava.
Houve só um momento em que pensei na namorada, e numa possível separação, que tive vontade de chorar. Estão terminando meus dias aqui, saio na quarta, e preciso encarar isso de frente ainda aqui dentro.
O resto do dia foi só sacanagem e perda de tempo, zoando qualquer um - anestesia. Uma pena não poder escrever, muito menos gravar ou filmar as coisas que acontecem aqui. Quanto material! Sonho em um dia me internar aqui apenas pra colher material de trabalho, mas isso é praticamente impossível, já que envolveria a conivência da administração e pelo menos um psiquiatra.
Minha Mãe e irmã me visitaram. Fiquei feliz de ver minha irmã vindo aqui, e um pouco triste porque minha namorada não tem vindo nem ligado. Sei que ela pensa vou terminar, mas não é só isso. Lembrei agora que, mesmo com trabalhos, afazeres e etc, quando estamos envolvidos, damos um jeito. Pensar nessa “trama” toda da nossa relação já me trás angústia, tristeza, saudades até.
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